Como separar o dinheiro da empresa do meu dinheiro pessoal?

A regra de ouro é simples: o dinheiro que entra na empresa é da empresa. Ele só passa a ser seu quando você faz uma retirada oficial, por pró-labore ou por distribuição de lucros.


Parece burocracia, mas essa separação é o que permite saber se o negócio dá lucro, evita problemas com a Receita e protege os seus bens pessoais.


5 passos para organizar


  1. Tenha uma conta PJ: todos os pagamentos de clientes devem cair na conta da empresa, nunca na sua conta pessoal.
  2. Separe o imposto primeiro: a cada recebimento, reserve a porcentagem do DAS numa conta ou num investimento à parte. Esse dinheiro já tem dono: o governo.
  3. Defina um pró-labore fixo: combine com a contabilidade um valor mensal e transfira sempre na mesma data. Ele funciona como o seu "salário".
  4. Retire lucros com regularidade: o que sobrar depois de impostos, pró-labore e despesas da empresa pode ser distribuído como lucro, também com transferência para a sua conta pessoal.
  5. Pague as contas de cada um com o dinheiro de cada um: despesas da empresa saem da conta PJ, e despesas pessoais saem da sua conta pessoal.


Um exemplo de como fica no mês


Imagine que a sua empresa faturou R$ 15.000:


Destino

Valor aproximado

Reserva para o DAS (6%, Anexo III ou com Fator R)

R$ 900

Pró-labore (com o INSS)

R$ 4.200

Despesas da empresa (contabilidade, ferramentas etc.)

R$ 500

Sobra para distribuir como lucro

R$ 9.400


No fim, você transfere para a sua conta pessoal o pró-labore (já descontado o INSS) e os lucros. O resto fica na empresa, cumprindo as obrigações dela.


Por que isso importa?


  • Você enxerga a saúde do negócio: sabe quanto a empresa realmente lucra.
  • Evita problemas com a Receita: entradas pessoais misturadas com as da empresa podem ser questionadas numa fiscalização.
  • Protege o seu patrimônio: quando as finanças se misturam, a Justiça pode considerar que empresa e sócio são "a mesma coisa" e usar os seus bens pessoais para pagar dívidas da empresa.


Dica de ouro: crie uma "reserva da empresa" com o equivalente a 3 a 6 meses de despesas fixas. Ela segura as pontas em meses de faturamento baixo ou de cliente atrasando pagamento.

Atualizado em: 28/09/2026

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