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# CLT ou PJ: como comparar uma proposta de verdade?

Para comparar as duas propostas de forma justa, **não dá para olhar só o valor mensal**. Na CLT, o salário vem acompanhado de vários benefícios. Como PJ, você recebe um valor maior, mas passa a pagar alguns custos que antes eram da empresa.

Ou seja: o que importa é **quanto sobra no seu bolso ao longo do ano** nos dois cenários.

### 1. Some tudo o que a CLT te dá

Na carteira assinada, o seu ganho real vai além do salário do mês. Entram na conta:

- **Salário líquido:** o que cai na conta depois dos descontos de INSS e Imposto de Renda feitos na folha.
- **13º salário:** um salário extra por ano.
- **Férias + 1/3:** 30 dias de descanso pagos, com um adicional de um terço do salário.
- **FGTS:** a empresa deposita 8% do seu salário todo mês em uma conta no seu nome.
- **Benefícios:** vale-refeição, plano de saúde, auxílio home office, seguro de vida e o que mais vier no pacote.

### 2. Tire da proposta PJ os custos que passam a ser seus

Como PJ, você emite nota fiscal e recebe o valor cheio. Mas, antes de comemorar, desconte:

- **Imposto da empresa:** no Simples Nacional, é a guia **DAS**, que para prestadores de serviço costuma ficar entre **6% e 15,5%** no início, dependendo da atividade e do Fator R.
- **INSS do pró-labore:** **11%** sobre o valor do pró-labore (o "salário" que você tira como sócio). É ele que garante a sua aposentadoria.
- **Contabilidade:** a mensalidade do contador que cuida da sua empresa.
- **Benefícios que você vai bancar:** plano de saúde, vale-refeição e tudo o que antes vinha da empresa.

### Exemplo prático

Imagine que você ganha **R$ 10.000 na CLT** e recebeu uma proposta de **R$ 14.000 como PJ** (40% a mais). Vamos colocar na ponta do lápis, com valores aproximados:

**Na CLT (por ano):**

| **O que entra** | **Valor aproximado** |
| ---- | ---- |
| Salário líquido (12 × cerca de R$ 7.500) | R$ 90.000 |
| 13º salário e 1/3 de férias (líquidos) | R$ 10.000 |
| FGTS depositado pela empresa | R$ 10.700 |
| Vale-refeição (R$ 1.000/mês) | R$ 12.000 |
| **Total no ano** | **R$ 122.700 (cerca de R$ 10.200/mês)** |

**Como PJ (por ano):**

| **O que entra ou sai** | **Valor aproximado** |
| ---- | ---- |
| Faturamento (12 × R$ 14.000) | R$ 168.000 |
| (−) DAS de 6% (Anexo III, com Fator R) | − R$ 10.080 |
| (−) INSS de 11% sobre um pró-labore de R$ 3.920 | − R$ 5.200 |
| (−) Contabilidade (exemplo: R$ 300/mês) | − R$ 3.600 |
| **Total no ano** | **R$ 149.100 (cerca de R$ 12.400/mês)** |

Na prática, os 40% a mais da proposta viraram **cerca de 20% a mais no bolso**. Ainda vale a pena, mas a diferença é bem menor do que parecia!

E atenção: se você tirar 30 dias de férias sem receber (o que é comum como PJ), a sua média cai para cerca de R$ 11.300 por mês. Se ainda precisar pagar um plano de saúde por conta própria, a vantagem fica ainda mais apertada.

### O que a conta não mostra

Além do dinheiro, pese também o que muda na sua rotina e na sua segurança:

- **A favor da CLT:** estabilidade, seguro-desemprego, multa de 40% do FGTS em caso de demissão sem justa causa e férias garantidas por lei.
- **A favor do PJ:** mais dinheiro no bolso quando a proposta é boa, liberdade para atender mais de um cliente e a possibilidade de pagar menos imposto com um bom planejamento.

**Dica de ouro:** antes de aceitar, peça uma simulação com os seus números reais. A atividade que você vai exercer (o CNAE) e o valor do pró-labore mudam bastante o imposto final. Na PJzen, a gente faz essa conta com você e já indica o melhor enquadramento para a sua empresa nascer pagando só o valor justo.